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Dra. Fernanda Teresa de Lima
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Dra. Fernanda Teresa de Lima
Dra. Fernanda Teresa de Lima São Paulo • SP • CRM-SP 86474 | RQE 27745
O Que É Herança Autossômica Dominante
Pacientes Fundamentos, Genética Clínica

O Que É Herança Autossômica Dominante

Escrito e revisado por: Dra. Fernanda Teresa de Lima CRM-SP 86474

Atendimento: São Paulo

Publicado:

Atualizado:

Conteúdo informativo com revisão médica. Não substitui avaliação individualizada, consulta presencial ou aconselhamento genético.

Algumas condições genéticas aparecem em todas as gerações de uma família — avós, filhos, netos — seguindo um caminho previsível e direto. Em muitos desses casos, o que está em jogo é o chamado padrão de herança autossômica dominante: um dos mecanismos mais importantes para entender por que certas doenças se repetem nas famílias.

O que significa "dominante"?

Cada gene que temos existe em duas cópias — uma herdada do pai, outra da mãe. Na herança autossômica dominante, basta herdar pelo menos uma variante dominante para que o efeito, ou fenótipo, do alelo dominante se manifeste.

Em linguagem simples: uma única cópia alterada do gene já é suficiente para causar a condição. A cópia normal herdada do outro genitor não consegue "neutralizar" o efeito da cópia alterada — daí o nome dominante.

"Autossômico" significa que o gene responsável está em um dos 22 pares de cromossomos que não determinam o sexo. Por isso, a condição afeta homens e mulheres com a mesma probabilidade.

Qual a chance de passar para os filhos?

Um pai ou uma mãe com uma condição autossômica dominante tem 50% de chance de ter um filho ou uma filha com a condição. Isso vale para cada gestação individualmente — o risco de cada filho não depende de os irmãos anteriores serem ou não afetados e nem do sexo da criança.

Ou seja, a cada gravidez, é como jogar uma moeda: 50% de chance de o filho herdar a cópia alterada do gene e 50% de chance de herdar apenas a cópia normal. Filhos que não herdam a cópia alterada não desenvolvem a condição e também não a transmitem aos seus próprios filhos.

Como reconhecer esse padrão na família?

Algumas características típicas ajudam a identificar esse padrão no heredograma familiar:

· A condição aparece em múltiplas gerações consecutivas (avós, pais, filhos)

· Homens e mulheres são afetados com a mesma frequência

· A transmissão pode ocorrer de pai para filho ou de mãe para filho — e também de pai para filha e de mãe para filho (sem restrição por sexo)

· Pessoas afetadas geralmente têm pelo menos um dos pais também afetado

Exemplos de condições autossômicas dominantes

Muitas condições genéticas seguem esse padrão, incluindo a síndrome de Marfan (que afeta o tecido conjuntivo e o coração), a neurofibromatose tipo 1, a acondroplasia (a causa mais comum de baixa estatura desproporcional), a doença de Huntington e a polipose adenomatosa familiar (que predispõe ao câncer de intestino), entre muitas outras doenças.

Mas e se ninguém na família tiver a condição?

Há uma exceção importante: as chamadas mutações de novo, que é um termo em latim que significa nova. Alguns indivíduos têm essas síndromes sem tê-las herdado dos pais — ocorrendo uma variante patogênica de forma nova (de novo). Foram os primeiros a ter esta alteração genética na família. Mesmo assim, esses indivíduos ainda têm 50% de risco de transmiti-la aos seus filhos.

Isso significa que uma condição autossômica dominante pode surgir pela primeira vez em uma família, sem histórico prévio, por uma mutação nova (de novo) que ocorreu durante a formação do óvulo ou do espermatozoide dos pais. Identificar esse cenário é uma das razões pelas quais o aconselhamento

genético é tão importante — ele ajuda a distinguir se a condição foi herdada ou surgiu de forma espontânea.

Penetrância e expressividade: por que pessoas com a mesma mutação podem ser tão diferentes?

Um aspecto que frequentemente surpreende as famílias é que pessoas com a mesma mutação — até mesmo irmãos — podem apresentar a condição de formas muito distintas, seja na gravidade, seja nos sintomas. Isso ocorre por dois fenômenos:

Penetrância incompleta é um fenômeno binário, em que a alteração genética tanto pode causar o fenótipo clínico esperado quanto não o fazer. Expressividade variável é aquela em que a mesma alteração genética pode causar uma ampla gama de sintomas clínicos, ao longo de um espectro. Ambos os fenômenos são influenciados por outros genes, fatores epigenéticos, ambientais e de estilo de vida.

Um exemplo prático: a neurofibromatose tipo 1 é uma doença autossômica dominante com penetrância completa, mas com expressividade altamente variável— o que significa que praticamente todas as pessoas com a mutação desenvolvem algum sinal da doença, mas a gravidade varia enormemente de pessoa para pessoa, mesmo dentro da mesma família.

O que fazer ao descobrir um padrão autossômico dominante na família?

Identificar esse padrão em uma família é o ponto de partida para uma avaliação genética. Com o diagnóstico molecular confirmado — a identificação da mutação específica responsável —, é possível oferecer testes preditivos a outros familiares, orientar o acompanhamento médico adequado e discutir as opções reprodutivas disponíveis para quem deseja ter filhos.

O aconselhamento genético é o espaço ideal para essas conversas: ele fornece as informações necessárias para que cada pessoa tome decisões conscientes, sem pressão e com suporte especializado.

Referências

1. Lewis RG & Simpson B. Genetics, Autosomal Dominant. StatPearls. NCBI Bookshelf. PMID: 32491444.

2. Zschocke J, Byers PH, Wilkie AOM. Mendelian inheritance revisited: dominance and recessiveness in medical genetics. Nat Rev Genet. 2023;24(7):442–463. PMID: 36806206.

3. Kingdom R & Wright CF. Incomplete Penetrance and Variable Expressivity: From Clinical Studies to Population Cohorts. Front Genet. 2022;13:920390. PMID: 35983412.

4. Taeubner J et al. Penetrance and Expressivity in Inherited Cancer Predisposing Syndromes. Trends Cancer. 2018;4(11):718–728. PMID: 30352675.

5. De Masfrand et al. Penetrance, variable expressivity and monogenic neurodevelopmental disorders. Eur J Med Genet 2024;69:104932. PMID: 38453051.

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